Uma vez, estava em um bar, sentada em uma mesa do lado de fora, e por ali passava muita gente na calçada.  Éramos turistas. Certo momento passou um pedinte, e minha filhinha, que na época tinha três aninhos de idade, toda empolgada, pois estava no clima da cidade onde há muitos artistas no metrô e pelas ruas  mostrando seus trabalhos e recebendo moedas, me pediu para dar uma moeda a um homem que passava pelas mesas pedindo uma ajuda. Dei-lhe algumas moedas e ela logo as entregou ao homem. Assim que ele viu a satisfação nos olhinhos dela, ele quis retribuir e deu-lhe, em agradecimento, um panfleto que carregava na bolsa. Para ela que era apenas uma criança aquilo foi muito satisfatório e ela toda contente veio me mostrar o que ganhou.

Ela brincou por um bom tempo, durante aquela tarde, com o panfleto.

Vocês não sabem o quanto me emocionei com a sensibilidade dele diante de uma criança e com o fato de que para nenhum dos dois houve um ato de esmola. Houve sim, uma troca, um agradecimento.

Durante minha vida, tive o privilégio de presenciar vários gestos de sensibilidade, ou de amor ao próximo, que têm me emocionado bastante. E, acreditem, esses gestos, na maioria das vezes, vêm sempre de das pessoas que menos espero. Pessoas, que muitas vezes, não estão ligadas à religião, não fazem isso por convicção, ou por esperar algum tipo de recompensa (seja da humanidade, seja de Deus).

Esse é um tema que me agrada, que mexe comigo.

Eu poderia citar alguns exemplos de situações onde há sensibilidade para com o outro, mas prefiro citar apenas uma das passagens bíblicas que mais me emociona, e que, para mim, mostra a sensibilidade/amor de Deus:

“como um pastor, vai apascentar seu rebanho, reunir os animais dispersos, carregar os cordeiros nas dobras de seu manto, conduzir lentamente as ovelhas que amamentam. “(Isaías 40, 11)

E logo eu me ponho a pensar, na sensibilidade e amor de Deus para com as ovelhas que amamentam, que sentem o peso do leite, e precisam andar devagar, e Deus, no seu infinito amor e na sua sensibilidade, é capaz de reduzir a velocidade de seus passos, para que as ovelhas possam acompanhá-lo sem sofrimento. Logo, me vejo a refletir sobre a pressa na qual vivemos, na correria do dia-a-dia que nos leva a seguir  sem querer “perder” tempo…

Assim, peço a Deus, que a correria diária não me torne tão egoísta a ponto de não perceber a necessidade dos que me cercam; e que eu possa sempre olhar com amor, aos próximos a mim.

Com carinho,

Adriana Nunes  (Drika)

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