Poema de Edgar Allan Poe traduzido por Fernando Pessoa

ANNABEL LEE *
(de Edgar Allan Poe)

Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor —
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.

E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar…
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim ‘stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.

Fernando Pessoa

ANNABEL LEE *
(by Edgar Allan Poe)

It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.

And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.

The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know, In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.

But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.

For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so,all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling, my darling, my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.

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De repente eu vejo… O que ninguém mais vê…

A luz que brilha lá fora…, O grito que cala aqui dentro;

O sopro de vida a vibrar e um resto de sonho acabar…!

De repente eu vejo, sinto, ouço, encontro, luto, corro, amo, minto, fujo, calo, falo, sonho, percebo… tantas coisas da vida da gente, do mundo inteirinho a processar dentro de mim,  e que já não é só do mundo, é meu, e de tão meu, nunca foi desse mundo aí de fora…

De repente eu vejo… e sinto… e me engano em pensar que o mundo caberia todinho em palavras escritas em um blog!

E o que eu percebo é que esse mundo, sendo meu ou não tão meu, mal cabe dentro de mim…

Adriana Nunes
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– O amor tem cura…?

– Não, ele não é uma enfermidade!

– Mas ele chega a nos fazer sentir como se estivéssemos enfermos…

– Os sintomas são vários… O coração chega a fugir do nosso controle!

– O amor adormece?

– Sim, não o acordes, apenas quando ele o quiser, já nos disse um velho sábio…

– E será que ele tinha razão?

– Provavelmente sim… Mas, às vezes, estamos dispostos a assumir todos os riscos!

By Adriana Nunes

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“Eu jamais chegaria aonde cheguei se só andasse em linha reta. Tive que voltar atrás, andar em círculos, perder dias, perder o rumo…”

Marla de Queiroz

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Se uma canção conseguisse me levar,

Eu cantaria meu caminho de volta para você…

A menina e o menino

Um menino de calção estampado desceu da caminhonete. Bronzeado, foi logo avistado pela menina de pele clara, e olhos arregalados! Tão pequenos um e outro, mas a magia do amor, naturalmente puro em coração de criança, por ali passou…

A menina ficava esperando o menino aparecer e sempre que aparecia ela era envolvida por uma vergonha que a impedia de interagir com ele. O menino, nem notava, e se quer fora tocado pela mesma magia que ela…

O menino partiu, pois não era dali, e algum tempo depois retornou. Ele já não era mais tão menino como antes, era um adolescente, porém ela ainda menina, se alegrou ao ver aquele rosto novamente.

Já havia, nessa época, outras meninas que encantavam o menino, e a pequena menina aos poucos percebeu que não era correspondida…

O encanto desse primeiro amor durou apenas mais esse verão, nos verões que se sucederam não havia mais esse sentimento, apenas lembranças de uma época de inocência e de encantamento!

Adriana Nunes

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Sonhos, escritos, lembranças, músicas e poesia. Já vimos algumas coisas por aqui. E, por que não, histórias??? Daquelas que ninguém conta, ou daquelas que todo mundo já sabe! Das que são apenas imaginadas, inventadas, sonhadas… Das vividas, das ouvidas, das lendárias…! Das histórias de contos de fadas e das histórias da vida real!
Histórias que, de repente, possam chegar por aqui… Vai depender da inspiração…!

Adriana Nunes

Imagem: Pinterest

 

Numa conversa sobre tanajuras, sobre que gosto ela terá, entre manteigas e opiniões, seu sabor eu logo tratei de contar:

Tem gosto da gente criança, se juntando numa farra danada com um monte de outras crianças; mais a sua mãe, os seus vizinhos, a sua rua todinha… Com sacos amarrados nas pernas, e bacias cheias de água, em torno de alguma barreira, à procura das tanajuras!

Tem gosto de voltar pra casa, com sorriso no rosto.

Cheirinho de café no fogo, e um outro cheirinho bem singular, da tanajura frita na manteiga e envolvida com farinha!

Tem gosto de crocância, de um final de tarde diferente! E, para quem gosta de tanajura, certamente ao pensar sobre seu gosto, logo se lembrará dessas coisas que a gente conhece na infância…!

Adriana Nunes

tanajura-rebeca

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Imagens: https://mangiachetefabene.wordpress.com; + arquivo pessoal da minha amiga Rebeca

Daquela saudade danada que dá do passado… Das pessoas, dos encontros, das músicas, dos momentos, dos tempos…

Saudade daquilo que não volta mais… Daqueles que, ainda se voltarem, não serão os mesmos…

Saudade da inocência, saudade da ousadia, saudade de viver mais um pouco, em um tempo que durou tão pouco…

Talvez, refletindo sobre saudade, possamos dizer que ela seja o que ficou de um tempo que passou… Uma lembrança, um sentimento, uma vontade, uma espera de algo que não volta mais igual como era antes…

Adriana Nunes

 

saudade